antotipias em itaquera e camera na sé

Dia 25 tem Antotipia no Sesc Itaquera!! Estarei por lá das 14h às 17h

https://www.sescsp.org.br/programacao/137129_ANTOTIPIA+FOTOGRAFIA+VIVA+DO+POSITIVO+A+FOLHA

e

hoje inicia um festival na Rua do Carmo – Sé – Ideal Prohibido na qual eu participo junto do Edison Angeloni, Roger Sassaki, Maurício Sapata e Maurício Silva. Montamos uma câmera obscura + periscópio em uma sala no terceiro andar além de uma exposição de algumas obras. Terão algumas atividades gratuitas e demonstrações. O Sassaki fará demonstração de placa úmida e Sapata fará fotografia lambe-lambe.

Programação Paper Box. Rua do Carmo, 56 – em frente ao Poupatempo da Sé.

Sexta 17
10h – Salas abertas. Camera Obscura com lente simples.
14h – Recepção dos visitantes
16h-17h30 – atividades com a câmera obscura.

Sábado 18
10h-17h30 – Salas abertas. Demonstrações na Camera Obscura (lente e periscópio). Turmas livres, ao longo do dia.
11h-17h – Demonstração de fotografia em Lambe-Lambe, ao longo do dia. – Maurício Sapata
14h-17h – Demonstração de fotografia em placa úmida, ao longo do dia. – Roger Sassaki

Domingo 19
10h-17h30 – Salas abertas. Demonstrações na Camera Obscura (lente e periscópio). Turmas livres, ao longo do dia.
11h-17h – Demonstração de fotografia em Lambe-Lambe, ao longo do dia. – Maurício Sapata e Elcio
11h – oficina de construção de Câmera Obscura – Mauricio Virgulino
15h – oficina de construção de Câmera Obscura – Mauricio Virgulino

 

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Câmera obscura do terceiro andar

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sobre mesas de luz ou maletas de luz

Nessas últimas semanas fiquei um tanto ocupada com a montagem de uma mesa de luz. Uma pessoa queria iniciar os processos e já de cara investir num equipamento. Por conta dos seus horários, tentativas com o sol são um meio quase impossível.

A minha intenção muitas vezes é de tornar acessível a ideia de fazer os processos alternativos então mergulhei nesse projeto como se fosse para mim. Porque de certa forma isso que faço para os outros se reflete de alguma forma de volta e eu fico feliz.

Então ele deu a sugestão de que queria o projeto com acabamento em madeira e eu adoro madeira. Como eu tinha um tanto de material sobrando pensei em fazer o acabamento em marchetaria.

 

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Como faziam uns 4 ou 5 anos que não fazia essa técnica, fiquei na dúvida se ia ficar bom. Para minha surpresa o pessoal nas redes sociais gostou bastante.

De certa forma acabou sendo uma experiência e de certa forma, juntei com a sorte de ter um material meio na mão. Mas também fiz porque ainda estou aprimorando meus projetos e ainda quero modificar muita coisa.

As listras sempre me lembram sons. Eu sempre digo que a  fotografia tem a ver com música, por isso as parte lateral está cheia de “som”.

A superior pensei num padrão ao estilo Athos Bulcão. Porque muitas vezes quando estou produzindo fico esperando a cópia expor seu tempo na luz e pensei que seria legal algum acabamento que fizesse o olhar percorrer caminhos sempre diversos.

Logo mais farei um passo a passo de como faço as mesas, mas para cada caso é realmente único. Acho que esses materiais precisam ser produzidos de acordo com a necessidade e espaço de cada um. Algumas são mais portáteis, outras mais robustas. Muitas vezes precisam ser transportáveis e assim vou pensando em adaptações.

Logo mais atualizo sobre esse tipo de projeto.

Enquanto isso, minha primeira mala de luz, a pequena, vou aposentar. :/

Ela nem sempre cabe bem nos carros que preciso pedir, alugar. E eu tenho preguiça de aguentar a má vontade de alguns motoristas ou a loteria de acabar pegando um carro no qual ela vai caber sofrendo, então vou deixar a estrutura para outra finalidade.

 

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minha pequena!

 

em dias de sol intenso saiu um lumen print

Papel PB Kodak. Papel velado. Foi jogado fora. Achei na lata de lixo.

Recolhi. Voltei aquelas folhas amareladas no saco preto e retornei elas com carinho à caixa amarela. Pensei – um dia acharei uma imagem para vocês.

 

Resolvi fazer um teste antes de viajar para um trabalho. Aquelas folhas já estavam mais de três anos no envelope, desde que foram jogadas.

Minha vontade de reaproveitar as coisas é impossível. Como eu tinha um fixador bem usado aproveitei o fix para o teste também.

Exposição ao sol: 2 horas. Acho. (esqueci a foto no telhado e saí para resolver outros assuntos) Quando cheguei passei no fix. Lavei e sequei.

Eis meu resultado:

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Revelação Cor

Amo cor.

Um dia olhando fotos de cianótipos e vandykes senti falta de magenta. Coisa estranha de se sentir.

Final de semana fui revelar dois negativos. Para aproveitar o espaço e tempo peguei um tanque que cabem cinco filmes. Resolvi revelar 4 de uma vez.

Filme colorido. A perfeição. Não resisti. A felicidade tão sublime de quinze minutos com aquele cheiro ruim me fez enrolar mais cinco filmes. Não. Espera. Dá tempo de revelar mais cinco. Porque não coloquei cinco filmes na primeira leva??

Acabei com 14 filmes revelados.

Fui contar quantos tinham ainda para revelar. Mais de 30. Que absurdo. Tem filme de 2012.

Tudo que eu acreditava foi perdido em 2012. Será que aguento ver um filme de 2012?

Naquele ano eu acreditava em justiça, em coisas reais. Eu trabalhei tanto.

Eu só quero viver a vida, pelos meus irmãos e por mim. Estudei muito. Eu perdi meu pai com 22 anos e desde então a gente se vira. Sempre tentei melhorar a vida da gente.

Mas tem sempre alguém que quer fazer mal. É aquele concorrente que quer te prejudicar. É o pai da minha sobrinha que nem vê a filha e até fugiu do país para não pagar pensão. É aquela pessoa que tenta te enganar. Aquela amiga que sofre por causa de um idiota.

Ao menos o processo de revelação do filme é algo que quero fazer. O resultado dessas imagens nem sei se quero ver. Elas são o passado.

O que vale a pena ser fotografado se a gente pode se arrepender de ver novamente?

Daí fui digitalizar os resultados. Saídas fotográficas pela Lapa. Amigos. Viagem. Até agora resultados bons. Me faz lembrar do documentário sobre Araki. Perguntado sobre as suas imagens, respondeu que ele gostava de fotografar o que ele queria lembrar.

Tá aí uma das fotos dos quatorze filmes de domingo. Pra me lembrar que nada é para sempre, nem nossas convicções sobre os outros.

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efêmeros

Tudo se passa por ilusão especular

Escolhemos a fotografia por conta das coisas boas que ela oferece. Podemos guardar fotos de parentes e amigos, eventos dos quais queremos lembrar, acontecimentos importantes. Ela pode te chamar a atenção por ser tecnicamente incrível, com luzes super bem equilibradas, peles mais lisas que superfícies polidas. Deixa pessoas  bonitas, ou mais bonitas ou mais estranhas..

Lembro bem de ter visto uma foto publicitária e daí percebi que realmente era isso que eu queria. Queria entender como se controla a luz, e naquele tempo para se buscar uma boa foto não existia pós processamento massivo como hoje, então fui buscar esse conhecimento. Mas alguma coisa no meio do aprendizado me fez perceber que não era só isso que eu queria buscar.

Bons professores me verteram o olhar para o campo mais bonito da fotografia. O poético e a percepção da imagem.

Ministrar aulas é algo assim. A gente ensina porque quer aprender. Eu gosto de ver e acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e o processo criativo. De certa forma, gosto de acompanhar os alunos através de suas imagens.
Nisso, vemos como a pessoa pensa, como resolve, ou como ativa sua imaginação.

Eu buscava o conhecimento técnico. E fui surpreendida com as outras questões que a fotografia lança.

Certa vez me perguntaram se não há encontros sobre crítica de fotografia. Eu não sei. Não tenho o costume de procurar muitos eventos. Pensei que seria legal enfim deixar aqui uma lista de livros que gosto de ler, já que não tenho encontros para indicar, mas pensar em crítica de fotografia nos leva a fazer leituras, e no fim elas são necessárias para compreender o uso da imagem, perceber a ilusão que pode estar contida.

Um livro que foi reeditado agora – Finalmente! – é do Arlindo Machado – Ilusão Especular. Tipo de livro: necessário.

Gosto muito do O mundo codificado – Vilém Flusser. Este é mais associado ao design, bem sensorial, porém me serviu muito para pensar na época do TCC.

Paisagens urbanas – Nelson Brissac Peixoto. Só o título já explica tudo. Muitos trabalhos no início eram de paisagem, de cidade. O primeiro trabalho que me inspirou muito foi de Alexsander Rodtchenko, por isso a leitura desse livro se fez necessária.

E por conta de paisagens e cidades acabei me deparando com As Cidades Invisíveis de Italo Calvino. Pra quem não conhece, não é um livro de fotografia, é literatura. Tem tudo a ver com paisagens, sentir as paisagens com as palavras.

Eu dou aula de processos históricos, ou seja, tem a ver com o decorrer da evolução de técnicas fotográficas. Cada uma surge num momento da fotografia e cada vez ela se tornam mais definidas e de melhor qualidade.

Começo sempre falando de história da fotografia. Uma vez ouvi de uma participante que história da fotografia é chato. Essa provavelmente será a temática do próximo post.

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A fotografia no Brasil

Estava escrevendo ( e consequentemente lendo) alguma coisa sobre fotografia e em algum momento eu precisava escrever sobre a fotografia no Brasil. Daí que me dei conta que não achava um bom texto sobre o uso da fotografia por aqui no século XIX. Uma coisa que preciso pesquisar mais profundamente. Está certo que há livros bons, como a pesquisa de Boris Kossoy sobre a fotografia de Hercules Florence, mas técnicas, empresas, uso, fabricação de câmeras ainda está em aberto para mim.

Vou procurando, um dia acho.

Até hoje temos dificuldades em acessar algumas coisas relacionadas a fotografia nestas terras. E isso é histórico, Florence sentiu desde lá atrás. Recentemente perdemos a fabricação nacional do filme gráfico da IBF, ou seja, novamente algum material que só podemos comprar lá fora. Ano passado fui comprar filmes da Fuji e assim me disseram que agora somente chegará o filme importado.

Gosto muito dos livros de Vilém Flusser. Esta semana fui tentar comprar o livro dele e não tem! Só nas Europas.

Ao menos de anthotype a produção pode ser nacional…

 

e assim o mundo me afeta..

 

minha casa, meu trabalho

minha casa, meu trabalho

Em mês de pinholeday me inspirei em fazer a imagem aparecer nas paredes de casa.

Daí fui colocar o tecido blackout na janela. Algum vizinho deve ter estranhado. “A moça colocou uma cortina furada?” Não não… não é para tapar toda a luz bonita daquela manhã inspiradora. Para organizar seus raios de forma que invadissem o escritório de um jeito que se pudesse perceber o que está lá fora. E que de certa forma me atinge e me faz entender o que é a essência.

Daí depois desse episódio sinto que o vizinho me olha meio incerto…