Janeiro . Anthotype no Sesc Santana

Semana que vem já tem curso de anthotype no Sesc Santana.

Terças e quintas a partir do dia 15 de janeiro, das 15h a 17h.

 

https://www.sescsp.org.br/aulas/177725_FOTOGRAFIA+EM+ANTHOTYPE

Captura de tela 2019-01-09 21.07.55.png

(De noite tem o curso do Edison Angeloni de Pinhole, como está ali na parte direita da imagem)

A parte comemorativa pra mim é que esse ano faz dez anos que dou oficina desse processo, que me faz refletir sobre a vida, sobre imagens, sobre permanências.

Esse estudo se iniciou por uma curiosidade em 2007 e virou trabalho de conclusão de curso porque representou naquele momento tudo que eu estava perdendo. Meu projeto era completamente outro, com outra professora orientadora, mas no meio do ano ela foi demitida. Ao mesmo tempo estávamos perdendo espaço para o ensino focado em tecnologia digital e eu não acho que a fotografia pode ser resumida em digital x analógico – especialmente numa faculdade de fotografia – acredito ainda que as duas coisas são uma só e elas se integram, não são coisas separadas pra mim.

Então as imagens relacionadas ao processo no TCC continham essa reflexão sobre as coisas e sua duração. A permanência das imagens – digitais e analógicas – as relações pessoais, os lugares em que vivemos… Nas imagens coloquei alguns objetos como álbum de família – que era da minha família mas eu não sei quem são (isso já é outra história) – a câmera que meu pai usava para fazer as fotos de família – e foi com ela que tirei a primeira foto que me fez sentir gosto pela fotografia – entre outras.

Essas últimas semanas tenho feito uma limpeza geral nos arquivos e lembro da ideia do projeto: muita foto tive que jogar fora, porque já não fazia mais sentido guardar, as relações pessoais mudam, os cachorros e gatos morreram, a foto dos irmãos que eles não gostariam de ver..

Agora a ideia da permanência da imagem feita a partir de anthotype tomou outro rumo quando comecei a pesquisar plantas tintureiras. Só que ainda não tenho nenhuma conclusão satisfatória sobre isso, tenho plantado algo aqui e ali. Se der certo postarei algo. Eu deveria ir estudar isso junto a uma instituição – pesquisar com verba própria tem seus problemas e leva um tempo.

Basicamente o anthotype é feito com o sumo de plantas ou a planta em si para fazer uma cópia fotográfica.

Para fazer essa técnica utiliza-se uma matriz – um positivo em transparência para gerar outras imagens positivas nesse material preparado com plantas.

E precisamos de uma fonte de luz Ultravioleta bem forte pra produzir nossas imagens, como o Sol, que está bem abundante nessa época e deixaria com inveja até o Herschel nessas horas, que produzia seus anthotypes no calor nublado londrino.

Eu costumo compartilhar meu texto com quem pede, mas confesso que aquilo foi só um início e eu aprendi muito mais depois. Hoje eu acho que tem trabalhos muito mais completos sobre o assunto.

Anthotypes-ElizabethLee-2008

Relógio – Anthotype 2008 – Beth Lee – essa imagem é do TCC e uso de quando em quando pra divulgação. O relógio tem a ver com o tempo, mas especialmente esse é um relógio quebrado, abandonado, pois meu pai era relojoeiro e consertava o tempo das pessoas.

 

Só tenho a agradecer ao Sesc e às pessoas que me contratam por poder esse conhecimento a tantas pessoas, não sei até quando continuaremos mas se houver corte no sistema S talvez esse trabalho… sei lá – e eu vou ter que buscar outras alternativas pra continuar me virando com fotografia.

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Cianotipando na Vila Mariana

Estamos firmes e fortes com as produções de cianotipia. Nos primeiros dias foi um pouco mais difícil nos acertarmos com a nova estrutura mas semana que vem voltamos a produzir algumas imagens mais.

Semana passada fomos eu a a mesa de luz para lá. O Edison me ajudou e tirou algumas fotos. Sem a ajuda dele eu não conseguiria mostrar alguns registros aqui. Arigatô!

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Eu a minha pequena

A parte novidade legal é que para esse curso ganhamos um envelope de papéis Hahnemuhle Platinum Rag, cortesia da Dina Fotográfica.

20160908_110242 eis aí o envelope! A foto vai pequena pois não ficou grandes coisas, mas o papel é realmente muito bom.

Pra mim foi bem interessante utilizar esse papel pois a gente se acostuma a adaptar produtos de outras áreas, tendo que lavar, encolar e aí o papel te responde com algumas surpresas. No entanto o Hahn (como eu costumo chamar) foi bem mais fácil de utilizar.

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cianotipos prontos para receber luz

Como lá a estrutura é adaptada, a gente sofre e entende algumas diferenças desde o começo. Minha mala U.V. funcionava bem com 10 minutos em casa. Chegando lá percebemos que ela não funcionava igual. Depois percebi que tinha a ver com o papel também. Em casa testei com papel mais fino e foi mais rápido, por isso eu teria que deixar mais tempo na mesa no local de aula.

Essas coisas só acontecem quando é um ambiente diferente do que estamos acostumados. E valeu como experiência, pois até então não tinha percebido necessidade de tempos diferentes de acordo com o tipo do papel.

Chegando em casa fui fazer um teste e era isso mesmo. Deixei um Filiperson 90g e um Fine Face 140g ao sol. O Filiperson funcionou bem com o tempo que sempre deixo, mas o Fine Face (é um papel de desenho) sumiu inteirinho. Antes de acreditar que ele não serviria, pois eu já tinha usado ele e sabia que funcionava, deixei com mais tempo de exposição ao sol e ele ficou lindão. Na verdade eu recomendo esses papéis para quem está começando a utilizar esses processos porque são baratos, mas gosto mais dos papéis de gravura e aquarela. A diferença é que esses papéis demandam mais preparo inicial.

A vantagem do Platinum é que o tempo de exposição não foi muito maior e não requer preparo.

Com esse novo papel aproveitei para fazer testes que faz tempo estava ensaiando e comecei a fazer uma pesquisa maior relacionada a lâmpadas.

Eu compro um monte de papéis para ficar testando, logo mais postarei os resultados que fiz até agora. Até para o anthotype o Rag deu cor mais intensa ao sumo. (isso logo mais, logo mais eu mostrarei)

Eu logo mais também terei o papel para revenda e esse mês volto a montar os kits de fotografia alternativa / processos históricos. E ainda vai ter mais novidade em relação a esses produtos. Resolvi montar esses kit porque queria tornar mais acessível, mas ainda preciso rever embalagens, ainda não achei o que me agradasse.

Antes que me esqueça, essa atividade no Vila Mariana está ligada a expo do Arno Rafael, vale a pena visitar a expo dele. Tive a oportunidade de ser ouvinte no workshop dele e o jeito como ele analisa o trabalho do pessoal foi muito inspirador. Ainda preciso aprender muita coisa… mas não porque era ele. Muito do modo como ele analisou os portfólios me lembrou muitos professores que tive e lembro das aulas sempre com muito carinho.

E mês passado estive no Foco crítico com o Guilherme Maranhão e Fausto Chermont, quem quiser dar uma espiada lá no periscope https://www.periscope.tv/w/1YqJDbgopZNKV

cianotipia, cianotipie, cyanotype, cianotipija, cianotip

Esta técnica que oferece tons azuis num papel é feita a partir de dois químicos, citrato férrico amoniacal verde e ferricianeto de potássio. Junta-se os dois e está pronta uma solução sensível ao espectro de luz ultra violeta. 

Simples assim, com um pouco de sol e vualá! Lava-se com água e terá um resultado bem bonito.

Quando comecei a estudar fotografia ( lá vou eu pros primórdios) eu havia lido sobre a técnica e não tinha entendido nada de como fazia. Parecia tudo muito secreto e escondido e eu imaginava que um dia ia entender melhor. A questão era que esse tipo de informação fui procurar em português e na época pouca coisa tinha disponível na internet. 

Mas é simples assim como a luz que nos “alumia” e complicado assim como com as coisas que a gente não entende. 

Fórmula:

A- 25 g citrato férrico amoniacal verde + 100ml água

B- 10 g ferricianeto de potássio + 100ml água

Guarde separado. Para uso misture 1 parte A + 1 parte B ( ex:20ml A+20mlB) – já faz bastante foto, acredite.

Expor em mesa de luz UV ou no sol. O tempo varia de acordo com a intensidade de UV. 

Lave a imagem por uns 3 minutos. Muita água faz a imagem ficar mais fraca e você gasta mais água.

 

Daí tem gente que não gosta do azul. Isso não é de hoje, historicamente considerado de baixa qualidade.

Tem a possibilidade de fazer viragens, caso enjoe da cor. Muita gente faz com ácido tânico, encontrado em alguns chás, daí viragem no chá, no café, com seiva de plantas..

Fiz uma vez a viragem que deixa com tons roxos, a partir de ácido gálico.

Resolvi escrever sobre esta técnica porque achei uma foto de oficina em Sorocaba no Sesc de lá e fizemos com o sol.

 

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um fotograma tomando solzinho..

 

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depois as imagens prontas secando.

 

Aproveitando para linkar uma coisa na outra, semana que vem tem curso de cianotipia em Pinheiros-SP com a Simone Wicca

dia 7 de julho 20h e seguem informações maiores aqui: wiccaverna